quinta-feira, 19 de maio de 2011
Trocam um longo abraço, confessam adoração pela noite passada, ela desaparece no corredor. Você regressa ao sono. Dez minutos depois, toca a campainha.
- Desculpa, esqueci o celular!
Desconfia que ela somente reapareceu para ver o que estava fazendo. Mas não conseguiu fazer nada.
Suspira um "avoada" com ternura.
Retoma a tranqüilidade dos travesseiros e logo estala a campainha.
- Ai, desculpa, esqueci os óculos. Sem eles, não dá para agüentar o sol.
Mantém uma sonolência generosa. Ajuda a procurar, sofre com a confusão do quarto e acena em definitivo com os lábios.
Suspira um "desajeitada" com ternura.
Recolhe-se nas cobertas até que ela decide bater na porta para não enjoar a campainha.
- Não sei o que está acontecendo comigo...Esqueci a presilha, meus cabelos ficam loucos de manhã.
O porteiro não assimila o vaivém de mudança. Procura um caminhão de frete oculto na esquina.
Não pode dormir mais. Senta, recapitula o relacionamento e espera o próximo descuido.
Se houver uma quarta vez, é o momento de entregar o apartamento. Ou de se entregar.
-Fabricio Carpinejar
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